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domingo, 16 de agosto de 2020

Dislexia Visual e Auditiva -Equipe Multidisciplinar


      DISLEXIA :

Distúrbio ou transtorno de aprendizagem na área da leitura escrita e soletração

Pode se apresentar quando uma criança saudável, inteligente, com estímulos sócio culturais adequados e sem problemas de ordem sensorial ou emocional, tem uma dificuldade acima do comum em aprender a ler

É um distúrbio neurofuncional. O funcionamento cerebral depende da ativação integrada e simultânea de diversas redes neuronais para decodificar as informações. Pode estar ou não em comorbidade com outros Transtornos  de Aprendizagem

Primeiramente, é necessário a verificação se o aluno realmente possui indicativos de algum transtorno de Aprendizagem, ou apenas dificuldade de Aprendizagem e se o mesmo não possui Deficiência Intelectual

DISLEXIA VISUAL 

Depois de Identificado se o aluno tem ou não Indicativos de Dislexia, deve ser conversado com os pais, cuidadores ou responsáveis  para entrega do Relatório de Avaliação Psicoeducacional,  bem como conversar com os responsáveis sobre os encaminhamentos necessários. A escola também deve ser orientada. A intervenção terapêutica é necessária, com a  equipe multiprofissional. Intervenções pontuais devem ser voltadas às particularidades e individualidade do aluno, com o objetivo de auxiliar na  superação/minimização de suas dificuldade  aceitação de limitações e o mais importante, descobrir suas potencialidades ,visando impulsionar, através de suas habilidades, o pleno desenvolvimento em todas as esferas, principalmente a cognitiva, acadêmica, social e emocional.

Fazem parte da Equipe multiprofissional:

Psicopedagogo(a)

Psicólogo(a)

Neurologista

Fonoaudiólogo(a)

   Professor(a) do AEE – Atendimento Educacional Especializado, que atua nas Salas de recursos       Multifuncionais

    E demais profissionais que se fizerem necessários.










 




Projeto: Água: distribuição, usos e consumo e a linguagem - Aprendendo com as tecnologias

terça-feira, 11 de agosto de 2020

A Aplicação do PROLEC (Prova de Avaliação dos Processos de Leitura ) como subsídio na identificação e intervenção precoce da Dislexia

Com os estudos avançados na área da psicologia cognitiva, conseguimos entender, com melhor precisão, os mecanismos envolvidos no processo de leitura e compreensão de textos. Hoje, sabemos que é necessário conhecer como funciona o cérebro da pessoa com ou sem dislexia, neste processo, saber as estratégias que o aluno utiliza na leitura de um texto, os mecanismos que não estão funcionado adequadamente, para entendermos porque ele apresenta dificuldades na leitura e conseguirmos aplicar técnicas de intervenções adequadas.

Para as pessoas hábeis em leitura, ler é uma tarefa fácil e rápida. Olhamos para um objeto ou para a sua escrita e automaticamente temos a imagem mental do objeto, sabemos como escrevê-lo, quais as letras que compõem a palavra e seus sons respectivos, isso porque reconhecemos as letras, os sons, sabemos segmentar, fazemos o reconhecimento das palavras, temos o pleno domínio das fases da leitura: decodificamos, compreendemos, interpretamos e retemos o conteúdo. Entretanto, essa não é uma tarefa fácil, para a realização deste processo, de maneira eficaz, é necessário uma tomada de consciência das características específicas da linguagem. Para o domínio da leitura, muitas operações cognitivas complexas cerebrais são realizadas.

Nosso cérebro tem regiões cognitivas específicas encarregadas de determinadas tarefas, é um sistema cognitivo altamente sofisticado, e se um dos componentes não funciona adequadamente a leitura é uma tarefa difícil e aterrorizadora.

Geralmente , a avaliação da leitura tem se concentrado na decodificação, memória para recordar palavras, fluência, ritmo, compreensão, sem avaliar os processos que interferem na leitura e compreensão.

Verifica-se o nível de leitura, mas não são verificadas as dificuldades fonológicas e lexicais, do nível mais simples para o mais complexo e muito menos as condições neuro biológicas que estão interferindo neste processo, para que os alunos tenham um bom nível e perfil de leitura.

Em uma avaliação do processo de leitura de uma aluno, é preciso observar: se a leitura ocorre por meio do processo fonológico ( a conversão do grafema em fonema e vice-versa) ou pelo processo visual ( lexical).

É importante verificar que se o aluno lê bem as palavras conhecidas, familiares, mas apresenta dificuldades nas palavras desconhecidas , ele não está sabendo converter grafemas em fonemas e sua leitura está sendo realizada pela rota fonológicas. Se ele lê bem palavras com estruturas silábicas simples mas possui dificuldades em palavras com estruturas silábicas complexas, ele está se baseando apenas pela rota fonológica e não tem domínio na lexical. Deverá ser trabalhado a rota lexical, em ambos os casos.

Relembrando que, para identificação das letras , é defendido, atualmente , por estudiosos da área que as letras e as palavras não são identificadas em ordem sucessiva, primeiro as letras e logo as palavras, ou primeiro as palavras e depois as letras, isso pode acontecer simultaneamente.

Sendo assim, quando vemos uma palavra, nosso cérebro ativa o reconhecimento de letras e quase simultaneamente o das palavras e ao mesmo tempo, quanto mais se reconhece as palavras, melhor as letras são identificadas.

Para melhor entendimento, apresentamos as seguintes definições:

Rota Fonológica: processamento fonológico (processo de conversão de grafemas – letras – em fonemas – sons das letras).

Rota lexical : análise visual (reconhecimento visual das palavras escritas) as palavras são identificadas conforme o reconhecimento de sua ortografia e também associados com outras palavras que tenham ortografias semelhantes, bem como o acesso imediato ao seu significado semântico

https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html#:~:text=Diferentemente%2C%20na%20rota%20lexical%20as,imediato%20ao%20seu%20significado%20sem%C3%A2ntico. , acesso em 10/08/2020 às 19:29h

Exemplificando:

Observe a palavra:

S O R M E T I

Identificamos as letras, as sílabas, lemos a palavra, mas não reconhecemos e nem deciframos o significado que esse grupo de letras representa, porque não conhecemos nada que tenha o nome de SORMETI, na língua Portuguesa . Sormeti é uma palavra inventada ou seja, uma pseudopalavra (palavras formada por combinação de sons e letras, mas que não existem no léxico de uma língua).

A rota fonológica é responsável pela decodificação do grafema/fonema, por exemplo, para leitura da palavra: “sormeti”, o leitor, embora desconheça a palavra e seu significado, conseguirá ler fazendo uso dos conhecimentos fonológicos. Baseiam-se nos procedimentos fonológicos de conversão de grafemas em fonemas, quando da leitura em voz alta. Portanto, lêem com maior precisão as palavras regulares e tendem a regularizar as demais

Agora observe:

P A T O

O aluno fará a leitura com facilidade , se seguir apenas a rota lexical , pois P A TO é uma palavra bastante vista e conhecida por ele . Quem segue essa rota, baseia-se maciçamente no reconhecimento da palavra inteira (leitura lexical), mas cometerão erros em que farão a troca de palavras pouco familiares por outras semelhantes.

Outro exemplo:

L A T A

Pela rota lexical, o aluno vai lembrar que o “L” é a mesma letra da palavra Leite, luta, etc., “TA” é a mesma sílaba da palavra TATU e vai chegar à leitura e ao significado através da representação interna que possui

Essa rota tem pouca dificuldade em pronunciar palavras familiares, porém apresenta dificuldades com palavras não-familiares . Serão os disléxicos fonológicos.

https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html#:~:text=Diferentemente%2C%20na%20rota%20lexical%20as,imediato%20ao%20seu%20significado%20sem%C3%A2ntico.

Para exemplificar mostramos a imagem:


O que faz com que consigamos ler é que somos leitores competentes, as duas rotas – fonológica e visual – estão íntegras e podem ser disponibilizadas para a leitura, facilitando o reconhecimento preciso e rápido das palavras e a compreensão do conteúdo lido.

http://www.fonologica.com.br/blog/tag/rotas-de-leitura/ acesso em 10/08/2020 , ás 19:49 h

Quando maiores, os alunos, em palavras homófonas, como “mal” e “mau”, vão novamente utilizar a rota lexical, ou seja, utilizar pistas visuais para distinguir o significado, e para isso ele necessita ter visto muito vezes essa palavra, para memorizar e ter uma representação interna desta palavra e seu significado, armazenada na sua memória de longo prazo.

Interfere na escolha da rota, o perfil do leitor, sua idade, etapa do ensino sistemático que está, se o aluno é bom ou mau leitor, o método de ensino da leitura, tipo de leitura: silenciosa, voz alta, etc. Corso e Salles (2009) em estudo da “Relação entre leitura de palavras isoladas e compreensão de leitura textual em crianças” enfatiza que no bom leitor duas rotas são acionadas , a rota fonológica e a lexical . Essa duas rotas , necessárias para a leitura , são acionadas pelo cérebro, são chamadas de léxico mental, e estão na nossa memória de longo prazo.

https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html#:~:text=Diferentemente%2C%20na%20rota%20lexical%20as,imediato%20ao%20seu%20significado%20sem%C3%A2ntico. Acesso em 10/08/2020 , ás 20:21 h

Veja como funciona o modelo cognitivo de Dupla - Rotas


https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html

Vamos ler o texto, retirado da página para ter uma noção de como funciona a leitura , utilizando somente a rota fonológica:

A p e s s o a q u e t e m d i f i c u l d a d e s n a t r a n s f o r m a ç â o d o g r a f e m a e m s o m p o r i s s o n â o c o n s e g u e m r e a l i z a r a l e i t u r a c o m f l u ê n c i a e v e l o c i d a d e .

Para você que já tem a proficiência necessária e utiliza as duas rotas, tanto a fonológica quanto a léxica, foi fácil, mas percebe-se que perdemos a fluência e a velocidade na leitura

Imagine quem faz uso apenas da rota fonológica, como é difícil!!!

A fluência e velocidade na leitura é aumentada a partir do aumento das informações lexicais que temos armazenadas na nossa memória. Se para quem utiliza só a rota fonológica é difícil, triplique essa dificuldade para aqueles que não possuem de forma adequada a consciência fonológica, sua leitura será silabada, lenta, não haverá compreensão leitora, o aluno terá comprometimento na memorização e busca de imagens mentais que são necessários para aquisição da habilidade leitora

Só o treino, para alunos que tem dificuldade neste processo não é suficiente, é necessário um trabalho sistemático com a discriminação auditiva, memória fonológica, memória visual e outras áreas do desenvolvimento deficitárias, para que se consiga alcançar o objetivo

Portanto, é necessário avaliar no aluno o uso de ambas as rotas, suas dificuldades, para propor um plano de intervenção objetivando sanar as lacunas encontradas, adequando às atividades propostas ao nível tipo de dificuldades.

Essas atividades devem ser elaboradas com conhecimento teórico de como é o funcionamento dos processos cognitivos relacionados à leitura , a partir de um diagnóstico bem identificado.

Sugerimos, para essa avaliação, a aplicação do PROLEC – provas de avaliação dos processos de leitura . Para explicar o processo de aprendizagem da leitura , no PROLEC foi utilizado o modelo da Dupla Rota. O instrumento Provas de Avaliação dos Processos de Leitura – PROLEC foi adaptado para a realidade brasileira, com a intenção de fornecer aos pesquisadores e profissionais da área da saúde e da educação um instrumento de avaliação com base em critérios e normas de desenvolvimento de leitura, pois por meio de uso deste instrumento será possível avaliar os diferentes processos e subprocessos que interferem na leitura, e assim, identificar os casos de dificuldades ou transtornos de aprendizagem e quais os processos responsáveis por essas dificuldades.

Texto adaptado da página:https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html#:~:text=Diferentemente%2C%20na%20rota%20lexical%20as,imediato%20ao%20seu%20significado%20sem%C3%A2ntico. Acesso em 10/08/2020


Referências :

BRANDÃO, Letícia Peixoto Morais. Dislexia: Características e Intervenções. Especialização em Educação Especial e Inclusiva. Universidade Cândido Mendes. Rio de Janeiro: RJ. 2015. Disponível em: http://www.avm.edu.br/docpdf/monografias_publicadas/R201671.pdf. Acessado em: 02/04/2016.

Corso, H. V.; Salles, J. F.. Letras de Hoje, Porto Alegre, v. 44, n. 3, p. 28-35, jul./set. 2009.

CUETOS, Fernando; RODRIGUES, Blanca; RUANO, Elvira. PROLEC – provas de avaliação dos processos de leitura. 2. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2012.

https://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com/2017/07/processamento-lexico-e-fonologico.html#:~:text=Diferentemente, na rota lexical as,imediato ao seu significado semântico. Acesso em 10/08/2020






segunda-feira, 4 de maio de 2020

Reflexão: Como me sinto com Baixa Visão


Na Educação Especial, muitos já me perguntaram como é trabalhar com alunos que possuem deficiência. Alguém já me perguntou também se imagino como seria o sentimento de uma mãe de criança com deficiência, o que é para mim impossível descrever com propriedade em palavras, tão profundo sentimento.
Mas hoje eu me deparei pensando em como a pessoa que tem deficiência se sente, e me peguei pensando na minha própria limitação visual.
Por isso, vou tentar descrever um pouco dos meus sentimentos para as pessoas que nunca compartilharam dessa experiência poderem entender um pouco de nossos sentimentos.

Ter baixa visão, mesmo que não seja tão acentuada como a minha, na real é driblar os obstáculos, seguir por caminhos que poucos trilharam, uma vida cheia de dificuldades, anseios, surpresas, mas uma vida também cheia de recompensas, superação, gratidão e amor!
Uma vida onde é necessário descobrir alternativas extras para se alcançar o que deseja, se contentar se não conseguir realizar todas suas vontades, conhecer suas características, limitações, virtudes, acreditar em si mesmo, não se abalar para descrenças em sua pessoa ou no seu potencial, e acreditar mais ainda em Deus que pode conduzir sua vida de forma maravilhosa, por caminhos nunca pensados e/ou planejados!!!
Ter baixa visão não nos faz menores, não nos faz incapazes de sonhar, não deixamos de sonhar, mas cogitamos a mudança de planos, durante a existência, porque muitas vezes por causa da limitação visual, temos que alterar ideias, sonhos. Esta alteração de planos, nem sempre é tão ruim, é apenas diferente, e a gente se adapta, e acaba gostando.
Com certeza, em muitos momentos da minha vida eu tive que ir mais devagar, precisei de algum recurso, de um tempo maior, de algum apoio extra, mas nada que não fosse possível realizar, nada que me fizesse me sentir incapaz.
É certo que enxergar pouco causa dores, frustrações, ansiedade, canseira, mas o melhor é não ficar me lamentando, em luto, como quando não pude tirar carteira, por exemplo.
Penso que se eu me lamentar e viver sofrendo por isso, não terei o prazer de aproveitar tão belas coisas deste mundo, que são possíveis sem ter a visão plena, coisas fascinantes e especiais que todos independentes de qualquer limitação, podemos usufruir, durante nossa estadia, como peregrinos nesta terra.